segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ainda no remember

O título tem dois serviços a cumprir, um é para avisar que irei postar uma crônica que escrevi uns três anos atrás e outra para falar de duas coisas que aconteceram esta semana e também tem gosto de passado.
A saída de Orlando Silva do ministério do esporte para dar lugar a Aldo Rebelo.
As acusações que borraram a liderança de Orlando a frente da pasta é digna de dúvida, nada ainda foi provado e o único ministro que fez esta área, que sempre esteve em quarto plano, crescer de forma significativa em todo o país caiu. Tudo deve ser verificado mas vivemos numa mordaça obscura que dita quem deve fazer isso ou aquilo.
Pensei mesmo que Dilma iria colocar alguém mais técnico, como queria, mas cedeu a pressão da mordaça, tanto em tirar Orlando quanto em colocar a grande decepção para militantes de esquerda como eu, Aldo Rebelo, este senhor que não parece desfrutar de suas faculdades mentais ou que simplesmente as dispõe para interesses alheios a da população. Gostaria de deixar claro que falo de Aldo sendo conhecedor de parte de sua história, de sua militância contra a ditadura, por ter vivido na clandestinidade por uma ideologia, por seu apoio a movimentos sociais, por um esforço elogiável quando assumiu a presidência da câmara dos deputados, e até mesmo quando propôs o dia do SACI em resposta ao Halloween imposto pela difusão da cultura norte americana. Mas seu erros ofuscam as passagens supra citadas, apoio a parlamentares nefastos, o clientelismo, para não falar prostituição, que motivou a "confecção" do novo código florestal, tão irresponsável que pegou a comunidade internacional no contra-pé, uma vez que parecíamos estar caminhando para um desenvolvimento sustentável do agronegócio. Agora me pergunto, e por favor se perguntem também, que interesses esse senhor irá atender?
O outro ponto é sobre a doença de Lula.
Entendo muito alguns protestos contra o ex-presidente se tratar fora do Sistema Único de Saúde, principalmente aqueles que já precisaram e não tiveram um atendimento adequado. A saúde pública no Brasil é uma vergonha, e isso todos nós sabemos e alguns viveram isso na carne, eu mesmo tenho um pulso multi-fraturado que ainda irá me gerar problemas, pois foi engessado de maneira errada, isso é muito pouco perto de pessoas que viram seus próximos sofrerem ou mesmo os perderam e isso o Luis em questão também sentiu no peito, sua primeira esposa depois de ter um atendimento relapso faleceu levando junto com ela o filho que carregava no ventre.
Mas Lula não foi o presidente idôneo que até mesmo aqueles que não votaram nele queriam que ele fosse, esse senhor compactuou com costumes políticos que infelizmente formam essa cultura pútrida que conduz o país há tanto tempo. Eu mesmo fiz campanha para Lula para ser eleito no primeiro mandato e já no segundo neguei meu voto aos métodos utilizados para chegar e se manter no poder.
Mas desejar a morte e até mesmo seu sofrimento por posição politica, raiva ou puro preconceito?
Prefiro sim que ele utilize um bom hospital do que utilizar os recursos parcos do SUS, estes devem ser utilizados por quem precisa.
Sabe o que queria mesmo ver? Lula gozar de uma ótima saúde para pagar por seus erros e ser julgado pela história. Também gostaria que todos brasileiros tivessem acesso a boa saúde, direito constitucional, para viver e responder por suas vidas, que todos tenham chance de alcançar suas potencialidades num país justo, laico e desenvolvido, situações que o sofrimento de Lula não fará acontecer.
Por ambos os casos trazer coisas velhas à mesa, como práticas obsoletas de política e sentimentos rançosos, que chamo este post de "Ainda no remember", boa noite e um bom e novo dia!
Caso queiram por favor coloquem suas opiniões, sempre poupando minha a honra de minha carinhosa mãe, rsss.  Um abraço

domingo, 30 de outubro de 2011

Só para te falar

A idéia de ter um blog é bem antiga, ela aparece na época do começo do ginásio (1º grau), final do anos 80, quando gostaria de participar do jornal do colégio, mas eu era muito novo, somente os alunos da 8ª série participavam, ninguém dava ouvidos aos alunos da 5ª série, e cá pra nós eu era meio nerd, quando este termo era puramente pejorativo, hoje com o advento da internet, eles são uma verdadeira tribo e até objetos da inveja alheia, sinal dos tempos.
Anos mais tarde, perto dos 18 anos, já cheio de influência da cultura punk, ter um zine seria o máximo, lia todos que eram distribuídos nas bancas da avenida Paulista e no skate park de São Bernardo.
Se misturava a isso a consciência juvenil esquerdista, inocente e visceral, abaixo a burguesia, os carros, a poluição, os ternos, o dólar, a língua inglesa, apesar de existir um imunidade para os Ramones, época romântica, aprender a beber e fumar, pura transgressão, andar pela rua de madrugada sem destino, dinheiro, no máximo um troco para tomar porradinha e pinga com limão, cerveja era um universo caro e adulto.
O zine não saiu, nessa época apareceram Alvarez de Azevedo, Lord Byron, Mary Sheley, puro mal do século, menu perfeito para um adolescente com tendências a insônia, e  fissurado em amores impossíveis, o angu deu em poesia, todas tristes dedicadas a amores que nunca nem mesmo conhecera, muita vontade, alguns até que belos, todos muito bobos, mas o grande lance era depois de alguns goles de whisky, ganhos como paga num trabalho de DJ num buffet, era queimá-los e ver a chama matando a inspiração vazia, parece até letra de música EMO, mas na época me parecia legítimo e bonito.
Infestado de cultura HQ, eu e um amigo resolvemos criar um personagem, bem anti-herói, o coitado morava num beco atrás de um boteco, paisagem nova yorquina, no centro de São Paulo, seu nome: Drunkerman, sim ele vivia bêbado, mas se visse um ato de violência, um político ladrão ou Kaiser, ficava bravo e dava porrada pra tudo quanto era lado, apesar de Álvaro, amigo e irmão, fosse o desenhista eu criei o primeiro quadro, chapéu, sobre tudo, sapato velho e uma garrafa na mão, não chegamos a desenvolver seu poderes, somente um gosto incrível por bebida barata, bem digamos que ele não virou um block buster como Homen-Aranha ou X-men, mas foi bacana, ainda pensamos numa versão  mestiça do Capitão América, negro com índio, capoeirista, magro, para seus inimigos não sentirem medo, e tomarem a pior surra que podiam imaginar, nossa idéia era que ao final de cada história o Tio San estaria sempre machucado, estuporado mesmo, este nem foi pro papel.
Como não podia deixar de ser a política tomou conta de todos os meus textos na fase seguinte, o lance era descer a lenha nos partidos de direita, seus ascendentes ditatoriais e o mal que trouxeram ao país, bem isso não mudou muito.
A escrita sumiu e comecei a falar da vida política do país entre amigos, convencendo que a esquerda era a solução e que seus ideais marxistas seriam nossa salvação, bem hoje sabemos que eles não eram de esquerda e entendem de Marx o que eu entendo de física nuclear.
Parei durante anos, quando conheci o email, achei um novo lugar para escrever sobre o social, a importância da ecologia, sim sou eco-chato, e palavras bonitas para meninas ainda mais belas.
Depois de toda essa epopéia literária, brooklinliana, etílica e desordenada, vou falar ao que vim, a idéia do Blog é simples, escrever o que penso “doela a quiem doela”,.,Se quiser falar mal, fique a vontade, a idéia é ser criticado mesmo, seja pela gramática, estilo, opinião, para poder me corrigir.
De maneira nada pretensiosa, quero escrever o que vier à telha, política, religião, futebol não, reclamações, piadas, protestos, e até um ou outro poema escrito para alguém ou situação inspiradora.
Espero que gostem, apesar de terem que se acostumar com erros de digitação, grafia e gramática, afinal como dizia Marcos Bagno, se você entendeu, eu sei me comunicar, o resto é preconceito lingüístico, se não gostar pode procurar um blog ou livro de um certo ex-presidente que fala como um pavão rebuscado.
Um salutar abraço a todos vocês.

Só para te falar

Esse na verdade é um remake, já tive um blog, este tentarei dar um rumo diferente.
Mas vou repetir o mesmo texto que iniciei o antigo.